Ela sempre esteve na colina mais luminosa da Cidade

Altaneira e única na sua situação de vigia de um horizonte imutável e pleno

de praias.

Guardiã de espíritos antigos e de labores industriais e mercantis.

Sempre fez parte do imaginário da Cidade

E passou a ser um destino constante dos meus amanheceres.

Em cada manhã a casa vermelha se me revelava em novas imagens,

Que me permitiam em momentos únicos, novas abordagens.

Cada manhã, ou entardecer, me permitia novos encontros,

Intensos de luminosidade que a envolvia, e

Pelo mistério do seus reflexos nos espelhos de agua, ou

Por mero acaso nas salinas em abstracções de impossível repetição.

Sôfrego, fui amealhando um tesouro de imagens

De uma realidade que sabia fugaz, e

Que se podia esfumar de um momento para o outro.

Um dia, surpreso, perdi a casa vermelha transformada em paredes toscas

Esperando a argamassa e outras cores de um sucesso urbano.

Passou a ser, para mim, e para a Cidade

Apenas uma memória que nesta exposição

Aqui fica reflectida e focalizada.

Esta exposição é como uma homenagem

Semelhante a um Adeus magoado e sentido

De um quase-ser que desapareceu do meu imaginário.

De um imaginário que se fundiu na Memória da Cidade


    Nasceu em Lisboa em 1940, licenciado em Economia e Finanças (ISCEF). Lançou o seu mais recente livro No Reino das Palavras, em Janeiro de 2006, que coincidiu com a exposição de fotografia «GEOmetrias» (Lisboa). Nos últimos anos apresentou as seguintes exposições: «Variantes» (Cascais, 2006); «A Cor das Viagens» (Estremoz, 2006); «Raízes» (Lisboa, 2007); «Sudoeste» (Lisboa, 2007), «Rupturas», Fundação Medeiros de Almeida (Lisboa, 2008). Colabora na Revista «Egoísta».

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Casa das Artes de Tavira, 2009, Memória da Casa Vermelha, Fotografia
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A Memória da Casa Vermelha     de  4-07  a   24-07   fotografia

Carlos Oliveira Cruz